publicidade

Blog do Amaury Jr

Latino apresenta nova namorada e fala de carreira, de cinema e da época em que cheirava cola

Latino apresentou a namorada em primeira mão para o Blog do Amaury Jr. (Foto: arquivo Amaury Jr.)

 

De férias por Orlando, na Flórida, Amaury Jr. encontrou o cantor Latino na casa de Gilson Marçal, dono de um dos restaurantes mais badalados por lá, o Gilson’s. Acompanhado da nova namorada, Jessica, ele falou longamente sobre sua infância, sua relação com o bispo Edir Macedo e os novos projetos, que incluem sua estreia nos cinemas e um DVD comemorativo de 25 anos de carreira.

Confira os highlights do bate-papo:

Amaury Jr.: Você teve um começo muito duro. Que história é essa de ter sido engraxate do bispo Edir Macedo?

Latino: Eu não era nem Latino ainda. Ele me chamava de Flamenguinho, porque eu usava uma camisa do Flamengo muito velha, rasgada, que nunca era lavada. Ele me zoava, mandava tomar juízo. Aí, pra fazer um agrado, porque eu sabia que ele tinha uma condição muito melhor do que eu, ele sempre comia lá no Chopp do Méier, então eu ia lá e fazia um bico de engraxate.

Amaury Jr.: Isso foi antes da Universal do Reino de Deus?

Latino: Ele não tinha igreja ainda, era um coreto no Méier, ele fazia pregação lá. Muito bem, diga-se de passagem. Ele conseguia conduzir a situação de forma muito imponente, as pessoas respeitavam muito ele. No começo eu tinha uma bronca muito grande, porque a gente ficava embaixo do viaduto do Méier, eu tinha ali meus primos, que eram meio cabeça virada, e de vez em quando ele tomava umas tomatadas na cara.

Amaury Jr.: Eles jogavam tomate?

Latino: Meus primos ficavam revoltados, porque queriam dormir, e a gente virava a noite ali engraxando sapato, dando calote nos ônibus. E às vezes ele acordava a gente muito cedo, porque fazia a primeira pregação às 6, 7 da manhã. Meus primos ficavam revoltados, e às vezes jogavam tomate pra ele parar de falar. Mas ele não parava! E conseguiu com certeza consertar muitas vidas, muitas almas. Uma foi a minha. Senão eu estaria lá perdido, igual a alguns dos meus amigos.

Amaury Jr.: E essa história de cheirar cola?

Latino: Isso é passado… Mas sabe porque muitos adolescentes na época cheiravam cola? Porque era uma forma de inibir a fome. A gente tinha muita fome, trabalhava igual louco, não tinha condições de comer toda hora, então era uma forma de se sentir bem. Mas aos poucos fui tirando aquilo de mim. Era coisa de adolescente, 12, 13 anos de idade. Imagina, que juízo a gente tinha nessa época?

Amaury Jr.: E como você saiu disso?

Latino: O Edir Macedo sempre brincava comigo, e dizia que eu tinha que parar com aquilo ou ia acabar na Febem. Aos poucos fui entendendo aquilo, fui parando e me consertando. Aí minha mãe teve a sorte de conhecer meu padrasto, americano, e vim pros Estados Unidos. Rapidamente consegui uma grana, e me tirou desse mundo. Me mudei para Rochester, onde toda a minha vida artística começou. Foi onde eu conheci o David Copperfield. Fui cover dele num primeiro momento, aí fiz teste pra trabalhar com ele, e fiquei seis meses em turnê, oficialmente ao lado do homem. Isso me trouxe uma experiência artística e de palco muito grande.

Amaury Jr.: Essa sua história de adolescente está no filme sobre a vida do bispo [“Nada a Perder”, com estréia prevista para 2018]?

Latino: Ele pediu se eu podia liberar minha imagem para essa história vir à tona. Como já passaram muitos anos, e eu estou muito bem resolvido com isso, é claro que liberei. Com muita gratidão inclusive, por tudo o que ele fez por mim na época da adolescência. Espero que possa servir de exemplo também para muita gente que vive na rua, cheirando cola, fazendo coisa errada. A própria história da Cracolândia, essa manifestação toda, eu fui um cara que escapou disso tudo.

Amaury Jr.: Você teria alguma sugestão para o prefeito João Dória, que está tentando obstinadamente resolver esse problema?

Latino: Ele tem que focar nisso. Claro que nada vai acontecer sozinho, a gente precisa do apoio da sociedade, e de tratamento psicológico. Eu, por exemplo, estava envolvido com o crack da época, que era a cola de sapateiro. Hoje o crack é dez vezes pior, muito mais turbinado, no sentido de prejudicar a saúde. Acho que é uma questão de persistência e assistência.

Amaury Jr.: Em algum momento você pensou em desistir da vida?

Latino: Pensei muitas vezes. Existe uma depressão pós-droga, que quando você vai dormir, olha pra tudo e não vê saída, as coisas não acontecem. No dia seguinte você tem que estar lá, lavando carro, engraxando sapato, isso cria uma depressão muito grande, principalmente prum cara que é adolescente, que vive na rua.

Amaury Jr.: Além do filme do bispo, você vai estrear no cinema, no filme “Duas de Mim”. Você vai atuar?

Latino: Vou atuar pela primeira vez. Aceitei esse papel da Cininha de Paula, porque ela decidiu apostar em mim. Eu já fui cozinheiro nos Estados Unidos, pouca gente sabe disso… Por ter tido essa história, e a Cininha já ter me visto atuar, ela decidiu fazer um teste comigo. Ela falou: “Cara, não tem papel melhor! Você tem que ser o coadjuvante da Talita Peralta”. Estou muito feliz de terem apostado nesse ‘ator-mentado’, que de uma forma muito sutil e bem delicada, conseguiu transformar essa dramaturgia numa alegria, numa diversão maravilhosa, que estréia no cinema agora dia cinco de outubro.

Amaury Jr.: E tem novo DVD vindo por aí…

Latino: Fiz recentemente um contratinho de três anos com a Universal, e vamos lançar em setembro o DVD de 25 anos de carreira, que traz uma retrospectiva dos oito milhões de discos vendidos, todos esses sucessos que vêm desde “Baby me Leva” a “Festa no Apê”, “Kuduro”, “Amigo Fura Olho”… E vai trazer três ou quatro inéditas. Também estou lançando uma música gringa, com o cantor venezuelano Juan Labarca, chamada “Na Rebolada”. Vai ser um hit do verão, é um reggaeton, bem latina. Mas ainda é segredo…

 

Aqui, Latino apresenta a nova namorada, Jéssica, e eles contam como se conheceram. Confira as imagens: