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Blog do Amaury Jr

Antonio Calloni para viver Roger Abdelmassih: “Abri minhas gavetas e tirei a maldade”

Por Bruno Meier

Antonio Calloni como Roger Sadala, o Abdelmassih da Globo: “um homem que “adoeceu” com o tamanho do poder que teve nas mãos e virou um criminoso”. Foto: Globo / Ramón Vasconcelos

 

Em agosto de 2017, Antonio Calloni recebeu uma ligação de Monica Albuquerque, executiva artística da Globo, que lhe falou do difícil papel que lhe reservaram: viver Roger Abdelmassih em Assédio, série sobre os crimes do médico condenado a 181 anos de prisão por abusar sexualmente de pacientes. Assédio é inspirada no livro A clínica — A farsa e os crimes de Roger Abdelmassih, de Vicente Vilardaga, lançado em 2016.

Em sua primeira entrevista sobre o personagem, o ator conta como construiu o médico. “Abri minhas gavetas internas e tirei a perversão, a maldade, a bondade, o amor… Ele amava profundamente (e a sua maneira) a família. Mas tornou-se um criminoso pelas más escolhas que teve”, diz. “Roger é um homem que “adoeceu” com o tamanho do poder que teve nas mãos e virou um criminoso”.

Hoje com 74 anos, Abdelmassih já foi considerado um dos principais especialistas em reprodução humana no Brasil. Em novembro de 2010, ele foi condenado a 278 anos de reclusão. No ano seguinte, teve seu registro profissional cassado pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp). Após passar três anos foragido, o ex-médico foi preso no Paraguai em agosto de 2014. Em outubro daquele ano, sua pena foi reduzida para 181 anos, 11 meses e 12 dias, por decisão judicial.

A série Assédio terá sua estreia em 21 de setembro, apenas para assinantes do serviço de streaming da Globo, o GloboPlay. Ainda não há previsão de lançamento na Globo.  Escrita por Maria Camargo e dirigida por Amora Mautner, a série tem chances de ser uma das obras mais fortes e violentas dos últimos tempos.

A seguir, a entrevista de Antonio Calloni sobre o tema e seu novo personagem, Roger Sadala (para evitar processos, a Globo decidiu não usar o sobrenome do original).

 

Antes de receber o convite para viver Roger Abdelmassih, quais eram suas impressões dele?

Antes e depois do convite, as impressões continuam as mesmas: um homem que “adoeceu” com o tamanho do poder que teve nas mãos e virou um criminoso. 

Qual sua reflexão sobre o personagem e a motivação para seus crimes?

O instinto venceu a cultura. O desequilíbrio venceu o equilíbrio. A libido descontrolada aliada ao poder de gerar a vida, fizeram de um grande médico, um criminoso.

 Como construiu seu Roger? 

Vi vários, incontáveis, vídeos do Roger (real) falando. Conversei e visitei o consultório e os laboratórios do Dr. Dale – Clínica Dale no RJ – Ginecologia, Medicina da Reprodução e obstetrícia. Mas a principal fonte foi o texto da Maria Camargo, muito bem escrito. O personagem é livremente inspirado no médico real. É importante ressaltar que é uma obra de ficção e não um documentário.

 Qual foi a cena mais difícil de fazer?

TODAS! Eu acreditei o tempo inteiro nele. Imagine como isso é difícil! E eu acreditei. Acreditei para torná-lo real. Acho que consegui.

 O que mudou do tema assédio para você com a série e por que crê que se fala muito mais do tema nos últimos anos?

A série, Assédio, é entretenimento feito com muita responsabilidade, ética e bom gosto. Vai gerar debate e envolver o público numa história de suspense, dor, amor e muita luta. O tema aflorou nos últimos anos, principalmente, mas não exclusivamente, por causa do amadurecimento, empoderamento, coragem e maturidade das mulheres. 

 Como você crê que este personagem ficará marcado na sua carreira?  

Espero que esse personagem contribua para o debate e seja lembrado como um trabalho artístico feito com muita dedicação e responsabilidade. Nada que é humano me é estranho, temos todas as possibilidades dentro da gente. Somos capazes de tudo. Os que têm a sorte de poder escolher, e fazem boas escolhas, escolhem fazer o bem (que é mais fácil e gera mais prazer). Os que fazem escolhas ruins, mais cedo ou mais tarde, pagam por isso. Para fazer o personagem, abri minhas gavetas internas e tirei a perversão, a maldade, a bondade, o amor… ele amava profundamente (e a sua maneira) a família. Mas tornou-se um criminoso pelas más escolhas que teve. Assim é a vida…