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Blog do Amaury Jr.

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Karl Lagerfeld (1933-2019): "Na moda, há que ser oportunista"

Amaury Jr.

2019-02-20T19:09:43

19/02/2019 09h43

 

Karl Lagerfeld | Reprodução Instagram

 

Pode-se dizer, sem qualquer exagero, que Karl Lagerfeld, morto nesta terça-feira aos 85 anos, foi o estilista mais poderoso do mundo. Da mesma geração de Yves Saint Laurent, outro ícone da moda, ele brilhou por subverter a elegância tradicional com toques atuais. "Sei que o que faço é importante, porque todo mundo precisa vestir alguma coisa pela manhã para sair de casa", disse Lagerfeld, o "Kaiser", como era conhecido, ao jornalista Mario Mendes em uma de suas últimas entrevistas ao Brasil, em 2013. Sob o comando de Lagerfeld, a partir de 1983, quando assumiu a direção criativa da Chanel, o casaco do tailleur de mademoiselle passou a ser usado com jeans, as correntes foram parar nas jaquetas de motoqueiro e a camélia apareceu espetada com alfinete em uma camiseta punk. Com isso, a Chanel acordou de um sono profundo (para usar as palavras de Lagerfeld, ela vivia até então como a "bela adormecida") para se tornar a marca mais desejada do mundo e Lagerfeld o estilista mais poderoso do planeta. No Brasil, a marca vive um de seus grandes momentos. O alemão estava à frente da Fendi desde 1965, da Chanel desde 1983 e de sua grife homônima desde 1974. Explica-se assim a comoção pela morte dele nesta terça-feira (19) em Paris. A informação sobre a perda do Kaiser foi confirmada por um funcionário da Chanel, que preferiu não se identificar, à agência de notícias Reuters.

Em uma entrevista lapidar e deliciosa feita por Mario Mendes, Lagerfeld dizia que era fácil trabalhar com ele. Karl, alemão de Hamburgo, estava à frente da Fendi desde 1965, da Chanel desde 1983 e de sua grife homônima desde 1974. Ele ainda passou pela Jean Patou e pela Chloé, além de ter colaborado com diversas marcas fast-fashion, entre elas a brasileira Riachuelo. "Tenho boas ideias, sei dirigir minha equipe, não crio problemas e coloco os interesses da empresa antes dos meus. Sou a pessoa certa para esse tipo de trabalho. Você não pode acreditar, mas não tenho problemas de ego. Minha mãe me ensinou que, se você é honesto consigo mesmo, sabe todas as respostas. Por isso, não tenho o desejo de ser o centro das atenções. Para mim, é natural estar em um palco".

Em geral, para eventos ou no trabalho, Lagerfeld se vestia de preto por achar mais fácil. "Mas também uso outras cores, principalmente cor-de-rosa e, no verão, muito azul. O que eu evito é misturar cores, para não ficar parecendo uma arara", diz. Durante o segundo mandato de Barack Obama, ele criticou o penteado da primeira-dama Michelle Obama na segunda posse e explicou: "Não me entenda mal, eu adoro Michelle Obama, só não gostei daquela franjinha. Não ficou bem. Assim como o presidente Obama, Michelle sabe muito bem tirar proveito dos fenômenos da nossa época, como a moda. Por isso, ela procura estar alinhada com o que os estilistas e as marcas estão produzindo. Na moda é assim, é preciso ser oportunista. Ou então você não esta realmente na moda".

Em 2013, ano da entrevista, sempre baseado em Paris, ele não pensava em aposentadoria. Desenhava 14 coleções por ano e dizia que tudo é uma questão de se manter informado e curioso. Karl Lagerfeld fez história. (Por Bruno Meier)

Sobre os autores

Amaury Jr.

É jornalista e apresentador de TV. É o mais conhecido colunista social do Brasil e considerado o criador do colunismo social eletrônico no país, onde mantém um programa de TV há 37 anos ininterruptos.

Bruno Meyer

Começou no jornalismo pela revista Veja. Foi repórter de cultura e editor-titular da coluna Gente, espaço semanal focado na cobertura de personalidades e celebridades no Brasil e mundo. É autor do livro "A Vida É uma Festa", sobre Amaury, e editor-chefe deste blog. E-mail: bruno@amauryjr.com.br

Sobre o blog

Notícias, bastidores e informações exclusivas sobre quem é assunto no showbiz, na cultura, na política, nos negócios e em todas as rodas sociais.

Para completar, temos flashbacks da carreira de Amaury Jr, retirados de um precioso arquivo que documenta expressivamente a evolução da sociedade brasileira.