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Morte anunciada: famosos que foram dados como mortos e o sucesso dos obituários

danae

26/11/2017 15h40

 

Ernest Hemingway e Agnaldo Rayol são alguns dos famosos que foram dados como mortos (Fotos: Reprodução/Divulgação)

 

A página de obituários nos jornais sempre teve bons índices de leitura – sucesso de audiência que se repete no nosso blog. Todo mundo quer saber quem se foi, se há algum conhecido. Há leitores que têm curiosidade mórbida. Outros vão lê-la para fazer cálculos de quanto tempo lhes sobra, espiando as idades, fazendo uma média e comparando com a sua. Uma forma de tentar entender os mistérios matemáticos da vida. Em Nova York é a forma mais eficiente de se procurar apartamentos vagos.

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Fazer obituários é uma tarefa preventiva no jornalismo. Quando se fareja que algum famoso vai partir, encomenda-se uma retrospectiva de sua vida, levantam imagens, fica tudo prontinho para o day after. É o que se chama no jargão das redações de morte anunciada, deixar pronto um texto para entrar no ar assim que o óbito é confirmado.

O departamento de jornalismo pediu a Marcos Hummel, então na Globo, que redigisse o necrológio de Magalhães Pinto. O notório político estava mal após um derrame. Magalhães, contudo, não se foi. Estava debilitado, mas resistiu, foi melhorando. Dias depois, nova recaída, Hummel fez uma atualização do necrológio. A semana foi de expectativa. Porém, mais uma, duas ou três vezes, até que o velho político se equilibrou e acabou vivendo mais dez anos. Marcos Hummel conta que, entre chefes e chefetes que o mandaram fazer o obituário extemporâneo de Magalhães, dois acabaram morrendo antes dele. E sem necrológio prévio.

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O escritor americano Ernest Hemingway adorava reler as matérias dos jornais sobre sua morte num acidente aéreo na África. Acreditava-se que ele estivesse no avião. Recortou tudo o que escreveram e colou num livro. Quando queria massagear o ego, abria uma garrafa de champanhe e lia alguns dos trechos de seus múltiplos obituários que saíram pelo mundo. Além de Hemingway, outros nomes importantes foram dados como mortos e acabaram lendo seus próprios obituários, como Bob Hope, Mark Twain, Alfred Nobel (que batizou o Prêmio Nobel) e Bertrand Russell.

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Há também uma história com Agnaldo Rayol, que foi dado como morto, as rádios lamentando aos quatro cantos o desaparecimento prematuro do grande cantor e colocando em estado de desespero seus fãs e amigos. O cantor ia embarcar na ponte aérea Rio-São Paulo (isto em 1961), num Scandia da Vasp, quando foi tomado por um medo inexplicável de entrar naquele voo. Hesitou muito, mas resolveu seguir a intuição. Deu sua passagem de presente a um publicitário que acabara de chegar atrasado no aeroporto. Foi uma premonição, pois o avião caiu em Ubatuba e matou todos os passageiros.

Chegando ao Rio, de carro, sem saber de nada, Agnaldo foi direto para seu apartamento e levou um susto com aquela multidão. Quando entrou, quem ficou assustada foi a multidão. As pessoas arregalavam os olhos como se tivesse chegado um fantasma. Afinal, esperavam era o defunto.

Fonte: livro "Bisbilhotices – Segredos e Curiosidades das Celebridades de Todos os Tempos", de Amaury Jr.

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Sobre o autor

Amaury Jr. é jornalista e apresentador de TV. É o mais conhecido colunista social do Brasil e considerado o criador do colunismo social eletrônico no país, onde mantém um programa de TV há 39 anos ininterruptos.

Sobre o blog

O blog traz notícias, bastidores e informações exclusivas sobre quem é assunto no showbiz, na cultura, na política, nos negócios e em todas as rodas sociais.

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