publicidade

Blog do Amaury Jr

Amaury Jr. fala das celebridades mais antipáticas que já tentou entrevistar

Foto: Reprodução

 

Uma das coisas que aprendi tendo de entrevistar personalidades que idolatrei a vida toda foi a não me intimidar. Um exercício de desmistificação. O repórter que se coloca diante do entrevistado como um fã perde o respeito do público. Não demorou para que eu visse que os ricos e famosos são como nós, cheios de inseguranças, às vezes frágeis e contraditórios, às vezes até grosseiros.

Aqui, os três famosos mais antipáticos que já tentei entrevistar:

Eddie Murphy

Certa ocasião, estávamos na Tunnel de Nova York, na aura de prestígio internacional de Ana Maria Tornaghi, na mesma mesa de Grace Jones e Tony Bennett, que me deram divertidas e reveladoras entrevistas, quando chega Eddie Murphy.

Como já tinha feito com outros artistas, minha equipe foi em sua direção para gravá-lo, com meu cameraman Marcelão (Marcelo Mello e Souza, 1,90 m, 112 kg) à frente. Os gorilas responsáveis pelo bem-estar de Murphy passaram dos limites, avançaram sobre Marcelo aos solavancos, um cobrindo a câmera com a mão, tudo sob as vistas e com aprovação de Eddie Murphy.

Tentei intervir, explicando, mas Eddie não deu ouvidos, passando com toda a sua antipatia e presunção. Não havia mais ninguém da imprensa na Tunnel, apenas nós. Não havia tumulto, nem assédio, por que aquilo? Tony Bennett me fez um sinal da mesa, torcendo o nariz, para que eu deixasse pra la lá.

Eddie, depois me contaram, tem aversão à imprensa. É famoso por saudar repórteres com a pergunta: “Você vai me despedaçar?”. Garante que seu sentimento é justificado e que suas crises depressivas devem-se às constantes notícias mentirosas que publicam dele, como o fato de ser gay e alcoólatra. Uma vez foi flagrado com uma travesti pela polícia e explicou que apenas estava dando uma carona. Processou o “National Enquirer” por publicar entrevistas com a tal travesti que alegou ter feito sexo com ele.

Soube depois que Murphy estava naquela noite na Tunnel com uma “namorada nova” e não queria ser visto com ela, ou pelo menos, talvez, não quisesse que sua mulher ficasse sabendo. Poderia ter conseguido isso com bons modos.

Charles Bronson

Com Charles Bronson minha decepção foi acachapante. Encontrei-o numa festa aberta na Rodeo Drive, em Beverly Hills.

_ Sou um jornalista do Brasil e gostaria muito de entrevistá-lo.

_ Brasil? É um país ou o quê?

Norma e Tonico Senra também tentaram uma aproximação com Bronson no restaurante Le Cirque, em Nova York. Estavam acompanhados de Pat Durst, produtora de moda, que conhecia Tonico do Brasil. Tiveram que explicar ao canastrão que Buenos Aires não é a capital do Brasil, que Stan Getz não compôs “Garota de Ipanema” e que caipirinha não é bebida afrodisíaca e nem provoca azia. Não se sabe o porquê desse sarcasmo do ator em relação ao Brasil.

Billy Zane

Billy Zane – que fez “Titanic” e o “Fantasma” — uma vez tentou me agredir. Estávamos no aeroporto de St. Barth e resolvi registrar sua presença com a pequena câmera que sempre carrego, tudo na maior discrição, de longe, sem incomodá-lo. Zane aprontou um pampero federal, invocou privacidade, veio pra cima. Não fosse meu filho Mó ter interferido, chegaríamos às vias de fatos, com nítidas desvantagens para este que vos escreve. Ainda bem que o Mó é da mesma estatura de Zane.