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Filhas fazem carta aberta a Costanza Pascolato; confira

Da Redação

19/09/2019 11h32

Constanza Pascolato e as filhas Alessandra Blocker e Consuelo Blocker | Reprodução Instagram

A consultora – e considerada papisa da moda – Costanza Pascolato completa 80 anos nesta quinta-feira (19).

Para celebrar a data, o blog divulga os  textos que as duas filhas, Alessandra Blocker e Consuelo Blockerfizeram para mãe:

 

"Como é ser filha de Costanza?"

Sempre me fazem essa pergunta!  Nunca entendi o porquê da curiosidade até o dia em que me sentei ao lado do filho de Audrey Hepburn e escutei, com uma certa vergonha, estas mesmas palavras saírem da minha boca! Não queria saber que ela era elegante, chique e generosa, isso eu já sabia, queria saber o que não se vê. Daí finalmente entendi!

Ela vai me matar, mas acho que posso contar alguns de seus pontos fracos. Saibam que sua elegância não se estende aos pijamas. Ela tem predileção por aqueles mais puídos que ganham status com o uso.  Ela não consegue passar na frente de um espelho sem se espiar. Fazer as contas não é seu forte e teve algumas vezes que sua sinceridade nas entrevistas me envergonhou por eu não concordar com a atitude.

Ela AMA queijo e chocolate, então pede para os hotéis tirarem tudo do minibar para não sentir a tentação de saqueá-lo no meio da noite. Porém odeia alho e torrada queimada.

Mas ser filha de Costanza não é nada disso. É comer o melhor curry do mundo que ela faz "from scratch" e me explicou que não vai creme de leite! É poder ligar na manhã seguinte da minha "primeira vez" e dizer: "tenho algo a te contar" e ela responder "pera um momento, filhinha, que tenho que sentar." É ela nunca conseguir segurar um segredo e rir da sua própria patetice. É ela ser lentíssima para entender certas coisas, mas afiadíssima para captar outras. É ela morrer de rir de tudo, inclusive dela mesma! É ela sempre pedir desculpas quando liga com receio de estar atrapalhando. É a generosidade de ter oferecido pagar a universidade para os dois netos. É aprender a usar Whatsapp para estar sempre conectada conosco. É me mostrar o caminho com a sua emancipação. É me chamar de filhinha.

E é aqui que chego a uma das maiores vantagens para mim de ser sua filha. Tenho linha direta, telefone vermelho, mesmo, com suas conclusões, avaliações e perspicácias. Ela vê o mundo embasada no comportamento e momento histórico. Isso é pura antropologia social e sempre rende uma opinião muito interessante. Inclusive quando fala de moda. 😉

Sempre foi elegante, mas seu look hoje (autodefinido como totem) é fruto de um estudo minucioso e uma dedicação diária de quase duas horas. Mas é fundamental. Além de gerar minions com a sua cara (resultado de um estilo bem definido) impõe respeito e abre portas.  Um bilhete de acesso a mais informação. Pois, no final, ela sempre traçou a SUA estrada com muita coragem, sem pisar em nenhum pé, mas sacrificando às vezes o tempo com aqueles ao seu redor.

Portanto, ser filha de Costanza é uma sorte e sem dúvida uma honra!

Obrigada Mummy!

Tua filhinha, Consuelo

Consuelo Blocker e Constaza Pascolato | Foto: @danielapetrelphotography

Querida Mummy:

Sempre me perguntam como é ser sua filha. O que, sinceramente, não entendo muito bem, já que foi assim desde que me entendo por gente. Não saberia qual a diferença entre você e as mães "convencionais" (como se isso existisse de fato). Talvez pudesse dizer que, como tudo na vida, ser sua filha tem vantagens e desvantagens. A principal desvantagem sendo ter que dividir você com o mundo e com sua curiosidade insaciável. Eita mulher curiosa!

Numa época em que eu a queria só para mim, Costanza descobriu Costanza. Saiu de casa para se encontrar. Daí não parou mais. Viajou em busca de novas conquistas e conhecimentos. Além de si mesma, você ganhou o mundo e, junto com ele, seus fãs. Se eu estava sendo egoísta por querer sua exclusividade? Talvez, mas tinha apenas quatro anos e crianças são egoístas, mesmo. Além do que, o mundo com você era sempre divertido! Entre banhos peladas no terraço embaixo de uma tempestade e bolhas de sabonete quando lavávamos as mãos, os atos mais corriqueiros se transformavam em motivo de gargalhadas. Então, de uma hora para a outra, sua presença se dividiu.

Demorou muito para eu entender que tenho duas mães: a Costanza que encontro de manhã se maquiando de roupão no banheiro e a Costanza Mickey Mouse, que não consegue andar cem metros no SPFW sem que peçam para tirar uma selfie. Briguei muito com vocês duas, às vezes gritando com uma achando que era a outra e vice-versa. Foi um longo e confuso aprendizado mas, por fim, fui capaz de designar a cada uma o seu espaço. E assim caminhamos com a humanidade… em paz… felizes… de encontro ao por do sol…

Agora, à maior vantagem além das risadas – conforme citado acima. Vou dizer "elegância" e todos vão responder: bom, lógico, e daí? Daí que taí o xis da questão. Você conseguiu nos mostrar a elegância em seu sentido mais profundo. Eu, como você mesma diz, tive "a sorte e o privilégio" de crescer com pessoas verdadeiramente elegantes: no gestual, na atitude, na forma de conduzir a vida. Porque, muito mais do que saber que roupa vestir e quais talheres usar em um jantar formal, ser elegante é um estado de espírito. É olhar no olho das pessoas quando se fala com elas, é respeitar as diferenças, é saber se portar em qualquer lugar, é saber se mexer e, também, se vestir para diferentes ocasiões (esta última lição não aprendi muito bem…).

Elegância não é um ato pensado, ela é. Ela existia nos lenços perfumados com lavanda que o Nonno Michele sempre tinha no bolso para nos dar quando chorávamos e nas margaridas do tecido que a Nonna Gabriella usou na parede do quarto que decorou para mim e para a Consuelo em sua casa. Ela estava nos cuidados da Blanche, na presença inabalável de nosso pai e até na coerência de seus atos, Costanza, tanto os de extrema generosidade quanto aqueles que nos fizeram sofrer. E, principalmente a elegância existiu na sua paciência em explicá-la para mim, que nem sempre quis entender. Espero ter aprendido direitinho.

Obrigada,
Beijo,

Alessandra

Sobre os autores

Amaury Jr.

É jornalista e apresentador de TV. É o mais conhecido colunista social do Brasil e considerado o criador do colunismo social eletrônico no país, onde mantém um programa de TV há 39 anos ininterruptos.

Bruno Meyer

Começou no jornalismo pela revista Veja. Foi repórter de cultura e titular da coluna Gente, espaço focado na cobertura de personalidades no Brasil e mundo. É autor do livro "A Vida É uma Festa" e editor deste blog.

E-mail: bruno@amauryjr.com.br

Sobre o blog

Notícias, bastidores e informações exclusivas sobre quem é assunto no showbiz, na cultura, na política, nos negócios e em todas as rodas sociais.

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