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O olhar de Fúlvio Stefanini

Da Redação

21/09/2020 21h38

Especialmente para nosso blog  Fúlvio Stefanini, um dos maiores atores brasileiros, nos oferece um texto informal sobre o momento que vivemos.

 

 

"Nestes tempos de pandemia, o que mais queremos é nos proteger desse inimigo universal invisível que assolou a humanidade e claro, espantar a solidão que nos acomete com o isolamento social. Inventamos tarefas domésticas, descobrimos a importância das panelas, nos deliciamos com as receitas da Rita Lobo, lemos aquele livro que sempre ficou para "um dia eu leio", arrumamos o escritório, organizamos a papelada, desenterramos recibos e comprovantes de pagamento tão antigos que já estão amarelados, sépia. Nessas arrumações, descobri um comprovante dos anos 60, achei prudente não descartar, não como documento mas como antiguidade, vai que vale uma graninha na feirinha do MASP; (quanto lixo meu Deus!), a maioria dos cacarecos que temos só servem pra entulhar as gavetas e como não poderia deixar de ser, ficamos horas hipnotizados diante da TV esperando ansiosamente por novidades bombásticas sobre a vacina que irá expurgar definitivamente o covid19 da superfície da Terra. Será? Muito já se falou e muito já se ouviu sobre o tema que se tornou o grande fantasma do século XXI. Milhões de infectados, quase um milhão de mortos, famílias dilaceradas pela perda de entes queridos, ou seja, uma barafunda geral nos bons e maus costumes de toda a sociedade do globo. Nessas viagens virtuais proporcionadas pela TV, passei a reparar mais criticamente sobre esse veículo do qual fiz e faço parte até hoje. Comecei cedo, aos 15 anos e jamais parei. Hoje mais amadurecido e experiente me reservo o direito de observar a TV com um olhar mais crítico. Percebo quanto a televisão avançou em tecnologia e quanto perdeu em criatividade. É curioso, mas a tecnologia, me parece, faz oposição ao talento. De que adianta uma imagem perfeita com milhões de pixels e um conteúdo pobre, enfadonho que, via de regra, leva as pessoas aos braços de Morfeu? A televisão aberta está repleta desses chamados "produtos" de consumo massificado; jornalismo, teledramaturgia, entrevistas, pegadinhas, os sertanejos, as atrações da manhã, as fofocas da tarde, auditório, enfim, uma batelada de programas dos quais pouco se aproveita, exceção feita a raros como o de Amaury Jr., competente e carismático jornalista que sempre traz novidades e entrevistas ótimas. Mas voltando à vaca fria, tomemos como exemplo o "Fantástico", a revista televisiva dos domingos. O programa de duas horas e tanto apresenta matérias longas, quase sempre desinteressantes. Façamos justiça; algumas reportagens sobre política, sobre temas atuais que interessam a sociedade ou coisa que o valha, são bom jornalismo, principalmente o jornalismo investigativo. Mas o programa como um todo, deixa muito a desejar. A sonorização é insuportável. Cadê o controle de qualidade minha gente? Duas horas e meia de sons digitais, eletrônicos, bombardeando o nosso cérebro, ruídos que levam qualquer mortal a atirar na Smart TV o prato de pizza napolitana que está devorando e acertar o Tadeu Schmidt que, aliás, é ótimo apresentador e não tem nada a ver com isso. Como enfrentar uma segunda feira de trabalho depois de um domingo de "Fantástico"? Não dá, é impossível!

Aliás, todos os programas andam ruidosos demais inclusive os intervalos com vinhetas ensurdecedoras. Até parece uma nova linguagem. Se quiser ser visto e ouvido fale alto, grite! A televisão está assim, principalmente os humorísticos, são um berreiro de enlouquecer até quem usa equipamento auditivo. Quanto mais barulho, mais engraçado. Desde quando? O humor virou um concurso de quem berra mais alto? É meus amigos e amigas, são os novos tempos, tudo anda muito rápido, a internet acelerou o ritmo das pessoas, quando se lê uma notícia, ela já ficou velha. É o mundo moderno, impulsionado pelo celular, pelas redes sociais e pela angústia que povoa a psique dos mais ansiosos que não vislumbram um horizonte ensolarado com um campo florido emoldurado por um céu azul cheio de esperança. Admito que tudo parece cinzento e nublado, mas não me deixo abater. Tenho plena convicção de que logo, logo, chegará a vacina, de que o sol voltará a brilhar, as queimadas serão vencidas pelas chuvas, os animais reencontrarão o seu habitat, o meio ambiente será respeitado, as pessoas voltarão a sorrir felizes e este nosso sofrido país encontrará finalmente o seu norte, basta que aprenda a votar."

Fulvio Stefanini

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do BOL

Sobre o autor

Amaury Jr. é jornalista e apresentador de TV. É o mais conhecido colunista social do Brasil e considerado o criador do colunismo social eletrônico no país, onde mantém um programa de TV há 39 anos ininterruptos.

Sobre o blog

O blog traz notícias, bastidores e informações exclusivas sobre quem é assunto no showbiz, na cultura, na política, nos negócios e em todas as rodas sociais.

E-mail: contato@amauryjr.com.br

Amaury Jr.